Sexta-feira, Setembro 03, 2004
E O TEMA É... VIAGEM...
Rafael embarcou hoje pra Porto Alegre... espero que ele consiga conhecer o FEIO, um querido visitante e colaborador... hoje me bateu uma nostalgia, de coisas passadas, mas que não passaram faz tanto tempo assim... (estou cheio de reticências...). Lembrei de um achado da Rosália, já faz um tempinho, no começo do blog, que ela postou e que rendeu altas viagens. Consegui encontrar e compartilho agora com todos vocês:
"estou escrevendo isso agora para vc ler depois.................perai.... mas vc esta lendo agora........ entao quer dizer que eu escrevi isso aqui antes???? nao mesmo eu to escrevendo isso agora e vc nao está lendo agora vc vai ler depois....... na verdade eu acho que vc está perdido no tempo...... vc está no futuro......cara legal como eh o futuro????? deve ser legal ai..... será que vc poderia me mandar um email contando sobre o futuro?? por favor vai manda..."
Viagem pouca é bobagem! Pensen nisso esse feriado prolongado, ok? E quem quiser viajar mais e mais, tem os comentários aqui embaixo, ok? Bom final de semana pra todo mundoooo!!!
Castigo de Deus!
Oi, galeira! Aqui é o Rafa teclando diretamente de Poa. Já mandei uma mensagem pro Feio e pro Benício pra gente ver se combina algo, vamos ver se rola. Mas quero contar do que me aconteceu na vinda pra cá.
Dias atrás assisti um filme em que um cara ficava apertado na cadeira do avião entre duas pessoas "fortinhas". Ontem, antes de vir, comentei no aeroporto sobre um aluno que comecei a dar aulas, meio "cheinho". Na fila pra entrar no avião, pensei: "Ai, meu Deus, põe alguém do meu lado que não me encha muito o saco e nem seja muito esquisito, vai???". Entrei e o avião estava lotado. Eu, naquela expectativa.
Quando chego na minha fileira, era a única completamente vazia. Aquele alívio. Sento-me na cadeira do corredor. Depois de 17 segundos, chega uma senhora estáile e senta na cadeira da janela. Mais um alívio. Depois de 42 segundos desse último fato, um "mundo" pediu licença pra se sentar entre nós dois. Sério, gente. Se ele não era um mundo, era um satélite natural muito grande. Putaquiupaiuuuuu!!! A pessoa se esparramou na cadeira, seus braços tomando uns 15cm do meu espaço e suas pernas simplesmente não cabiam em linha reta. Então, ele ficou de pernas abertas. Não fosse o bastante, tinha uma respiração lenta e barulhenta. "A banha deve estar apertando os pulmões", pensei.
Eu tentei ao máximo não encostar nele. Tinha medo de ser sugado para todo o sempre, além de nojo. Pensei no filme, em tudo que havia dito e decidi que tinha de fazer alguma coisa. Por coincidência, meu nariz estava repleto. Comecei então a enfeitar a calça dele com muito cuidado para que ele não notasse nada. E quando a comida chegou, imaginem só. Ele devorou tudo em menos de 1 minuto e ficou olhando pro meu. Eu não tive coragem de continuar - com medo de passar mal depois, mas é claro que não ofereci. "Essa bola vai ficar na vontade, só de raiva."
Depois que chegamos e pegamos minha mala, arrumei coragem e soltei: "Da próxima vez, vê se compra três cadeiras pra ver se se esparrama melhor." É lógico que saí caminhando rapidinho enquanto ele decifrava a mensagem. Fiquei com medo dele me engolir. Nem olhei pra trás.
Coitado??? E eu? Você já se colocou no meu lugar? Foi fooooodaaaaaa!!! Não desejo essa experiência nem pro meu pior inimigo.
Beijos a todos!
Rafa Parente.
Quarta-feira, Setembro 01, 2004
Episódio de hoje: HOMEM GOSTA DE QUÊ?
Eu tenho um amigo que, além de ser um dos maiores cafajestes que eu conheço, gosta de desenvolver teorias acerca de relacionamentos homem x mulher. Como se não bastasse, ele aluga meu ouvido (que nessas horas vira mesmo um pinico) e ainda me pede opinião. Pô! Eu não sei se o que ele diz faz sentido... E se eu achasse que a metade tem uma pontinha de verdade eu juro que enlouqueceria, porque definitivamente os pensamentos de um machista inveterado e metido a conquistador são
nojentos!
Só pra vocês sentirem o drama, uma das teorias do tosco que eu chamo carinhosamente de
Ogro (apesar de tudo eu adoro esse cara) é a de que quando se começa um relacionamento, a primeira providência deve ser uma traição.
Isso mesmo: um belo chifre! Segundo esse grande pensador, numa relação, alguém (se não os dois, na pior das hipóteses) é sacaneado. Então, pra que não seja você, traia primeiro. Que doçura de pessoa, não é? Outra pior: ele os amigos da mesma laia estão produzindo o
MANUAL DO BRUCUTU. Affff, vocês não imaginam em quê isso consiste. Os membros têm que ser provedores (pagar todas as nossas contas, isso é lindo!), mas não dão moleza pra mulherada, que normalmente pena nas mãos desses insensíveis. Dentre os "mandamentos" estão:
"Nunca, em hipótese alguma, levar a sua mulher para o motel no dia dos namorados. Irrevogável será a expulsão do membro da Associação". Tá pouco? Aí vai outra:
"Só dizer que ama uma mulher se esta não for a oficial e se ela estiver fazendo 'cu doce' pra liberar... mesmo assim se não houver qualquer indício de que o Brucutu venha a se apaixonar por ela". É demais pra mim, fala sério!
A frase clássica deste indivíduo, a que me levou a escrever este post, foi:
"Homem gosta é de cheiro de homem". Complicado pensar nisso. E não, ele não está insinuando que todos os homens sejam homossexuais. Está sugerindo que quando o homem é traído, fica mais atraído pela mulher do que nunca:
"Se o namoro/casamento/rolo/pegação está morno, saia com outro e depois se encontre com o parceiro pra ver... ele nem precisa saber do que aconteceu, ele fatalmente te tratará melhor e sentirá muito mais desejo por você". Não quero comprovar a teoria, mesmo porque não existe nada de morno no meu namoro, nem tampouco estou sugerindo que vocês a testem, mas que dá pra pensar no assunto, isso dá!
Não é segredo pra ninguém que estou namorando. É incrível como depois que este fato ficou público, alguns homens com quem já me envolvi, aqueles com os quais rolava um "clima" ou ainda aqueles que nunca haviam demonstrado interesse começaram a me achar muito mais interessante que antes.
Será que o Ogro estava certo? Ou será que é a famosa lei da oferta e da procura adaptada para o relacionamento humano?
Bom também não me importa,
o que importa é que o meu homem gosta do meu cheiro e eu gosto do cheiro dele, sem nada no meio!
COLUNISTA EXCLUSIVA: ROSÁLIA OLIVIERI
Segunda-feira, Agosto 30, 2004
Galeira perturbada, escrevi esse texto há algum tempo e quero compartilhar tamanha perturbação com vocês. ;)
X no centro
Começo de julho. As últimas festas juninas costumam acontecer. A seca também está em alta. Percebemos isso ao observar a natureza (dos vegetais e dos humanos). Começo mais uma vez a investir nas minhas reflexões baratas: muito perigoso isso... o fogo das bombas, balões e quentões das festas juninas em época de seca do inverno... os resultados muitas vezes podem ser escabrosos.
Depois de buscarmos a Rosália no aeroporto (retornando de uma viagem a trabalho para Curitiba), eu, o Hélio e ela pegamos o Wilson em sua casa e vamos para uma festa junina da 312 norte. O motivo dessa investida foi o fato de que o Tono iria tocar com a sua banda. O nome da banda é meio esquisito (e eu sempre esqueço). Nem ele sabe o que quer dizer ou como surgiu. Só explica que já tinha esse nome na data de seu ingresso.
Mas, continuando. Chegamos na festinha já fazendo barulho. Paramos na frente do palco como os fãs mais empolgados e começamos a dançar e cantar as músicas. A primeira coisa a me chamar atenção é um senhor de seus cinqüenta e poucos anos dançando (ou, talvez, cambaleando seria a palavra mais adequada) na nossa frente. Tinha em sua mão uma latinha de
celva e na cara aquele sorriso do tipo "essa é a décima". Ele nota que comentamos a seu respeito e me cumprimenta. Depois de alguns minutos também pede o isqueiro emprestado. Talvez ninguém em toda a festa tenha dançado tanto quanto ele. É o fogo... e a seca.
Compramos
celva, comida e bombinhas (aquelas que estouram quando jogadas no chão). Essas bombinhas passam a ser, então, um dos nossos principais passatempos. O outro, é claro, observar e comentar sobre as pessoas ali presentes. Fizemos, então, descobertas sobre as bombinhas e as pessoas. As bombinhas estouram na nossa mão e com fogo. Algumas pessoas separaram o melhor conjuntinho para ir à festa (para elas, essa pode ser a grande noite!). É o fogo... e a seca.
A Marisa (mãe da Rosália e do Tono) chega e depois de algum tempo o showzinho termina. O Tono expressa sua indignação em relação ao som e ao encarregado dele. O tempo passa e o Felipe chega. Continuamos bebendo, comendo, conversando (e criticando) e soltando bombinhas. Faz muito frio. Uma mulher passa e nos estimula com muita simpatia a participar do bingo que, segundo ela, começaria em alguns instantes. A Marisa decide participar e o bando de Maria-vai-com-a-Marisa também. Mais uma vez, o resultado de algumas
celvas e um pouco de cachaça de alambique aliados à vontade de se divertir. É o fogo... e a seca.
O bingo demora, mas começa. Um engraçadinho responsável por cantar os números começa a falar. Explica o procedimento do jogo e repete os números já retirados pelo menos uma cinco vezes. "Não é cartela cheia! Quem tiver o X no centro sai daqui de bicicleta!", "Vamos animar esse bingo aíííí, gente!", "B de Bebeto e 7 de Bebeto!". E algumas vezes imitava o Lula: "Se eu fui competente pra ganhar a eleição é claro que vou ganhar essa bicicleta!" - dizia ele com uma voz até um pouco parecida. "Alguém tá melado, aí?" - perguntava insistentemente. Putz... - eu pensava. Fiquei me indagando se alguém era capaz de rir daquilo. Mas era o trabalho dele. A seca para ganhar dinheiro e o fogo necessário para um animador. Para mim era mais divertido escutar o Hélio e a Rosália perturbando a Marisa com um sotaque curitibano. E falando "tesããão, esse número!" Segundo a Rô, todos em Curitiba falavam assim: "tesããão disso... tesããão daquilo." É o fogo... e a seca.
O bingo chega ao fim e o meu X no centro estava longe de acontecer. Uma menina é a vencedora. Que bom - pensei. Quero gastar o meu X no centro com o resultado da mega-sena amanhã. Uma mulher e um homem começam um showzinho de forró e música sertaneja. Algumas pessoas (principalmente aquelas que se preparam para "a noite do ano") se empolgam. Não posso deixar de notar uma moça de uns vinte anos dançando. Já tinha comentado sobre ela anteriormente. Engraçada ela. Casaquinho de oncinha. Meio cheinha, dançava forró com uma amiga como se fosse a mais charmosa ali presente. Eu nunca dancei com uma menina daquele
naipe, pensei. Comentei com o Hélio e a Rô e o Hélio foi o primeiro a me estimular a convidá-la para dançar - é a cara dele. Hesitei, mas fui. É o fogo... e a seca.
- Oi!
- Oi!
- Você me ensina a dançar?
- Essa música não é de dançar junto não!
- Ah, é. Mas e a próxima você me ensina?
- Se eu conseguir...
Êita, felicidade. Senti como se eu fosse o X no centro daquela moça naquele momento. Fui até a dupla de "cantores" e pedi que tocassem forró. Dito e feito. Ela dançava com a amiga novamente, que foi colocada para escanteio assim que ela me viu. Dançamos a música e conversamos. Cristiane o nome dela. "Você é que tá me ensinando!" - disse ela. Até fiquei feliz. É o ego. Ela também, de alguma forma, podia não ser o meu X no centro... mas digamos que era quase uma perninha do X. No final ela quase me lasca aquele beijão das novelas. Aquele com um fogo que destrói qualquer seca. É o fogo... e a seca.
Decidimos ir embora. Eu ainda tinha uma fichinha de R$0.50. Pensei em comprar umas torradas que havia visto em uma barraquinha. O Hélio e a Rô (com a maldade de sempre) me convenceram a dar a fichinha para a Cristiane. Eu dei. Ela não gostou muito não. Fez uma cara não muito bonita (não que já tivesse sido bonita alguma vez, mas tudo bem). Fui para o carro sem graça. Tinha deixado de ser seu X no centro para passar a ser motivo de decepção e desilusão. Coitada, pensei. Ah, mas ela já deve estar acostumada - pensei um segundo depois.
Fomos embora. Para o Lake's (uma boate em um shopping). Continuei dançando, bebendo e procurando outros Xs no centro. É o fogo... e a seca.